A arte de colecionar



Quem nunca colecionou algo na vida? Figurinhas, miniaturas de carros, latas de cerveja, canetas, moedas, selos, facas, discos, souvenires etc.? Duvido haver alguém em todo esse planeta que nunca tenha ao menos juntado um certo número de itens do mesmo gênero em algum momento de sua existência - muitas vezes até sem perceber. Afinal, um monte de camisetas no armário não é uma coleção? Uma "coleção inconsciente", digamos assim?
Pois então, a vida em si é uma imensa coleção de experiências, emoções, decisões, dúvidas, caminhos, situações, sonhos, pesadelos... Pensando por esse prisma, todo e qualquer ser humano é um colecionador, mesmo que não faça a mínima ideia disso.
Mas voltando ao lado material da coisa, existem coleções de muitos e muitos tipos, tamanhos, valores e abrangências. Algumas são bastante triviais. Por exemplo: lembro de um colega de escola lá da terceira ou quarta série que, na época, colecionava dados. Sim, esses cubos numerados, geralmente de um a seis, usados em jogos. Ele tinha uma penca desses objetos, de vários tamanhos, cores... Um deles era bem estranho: ia do um ao vinte. Uma coleção simples, mas ao mesmo tempo muito legal. E de vez em quando ele levava alguns para a escola, talvez para criar jogos durante o recreio, sei lá...
Assim como há coleções de itens comuns, banais, como essa de dados citada acima, também há outras mais complexas, que envolvem muita pesquisa em diversos aspectos. Por exemplo: minha coleção de discos. Tenho aqui mais de quatrocentos deles, entre LPs, EPs e singles. Tudo começou em 2013, quando, cansado do som altamente comprimido dos arquivos MP3 e do áudio do YouTube, resolvi comprar uma vitrola e um disco do The Cure. O que era para ser algo casual se tornou uma paixão, e aí fui comprando mais e mais discos (por vezes estourando minha conta bancária, confesso, mas valeu a pena) e isso deu origem à minha discoteca como ela é hoje. Atualmente o vinil é minha principal forma de ouvir música e, graças ao bom e velho disco, passei a apreciar a obra dos artistas como um todo, indo muito além das canções mais conhecidas.
Também há outras coleções que, se não são caras e/ou difíceis, levam um tempo considerável para avançar. Assim é a coleção de selos da minha mãe. Aliás, eu nem imaginava que minha mãe era filatelista, até dar de cara com um estranho álbum, num dia, não sei quando, que ela me pediu para pegar algo em seu guarda-roupa. Achei aquele álbum e, quando o abri, me deparei com centenas (se não milhares) de selos, acredito que desde a década de 1960. Achei selos dos mais variados possíveis, com inúmeras características. Antes de qualquer pergunta: sim, minha mãe coleciona selos até hoje. Sempre que aparece algo na caixa de correio que ela julgue interessante (coisa raríssima nesses tempos de comunicação instantânea, mas vez que outra ainda acontece de surgirem cartas seladas ali dentro), lá vai ela recortar e colocar no álbum. Ali é possível, de certa forma, viajar no tempo...
Há vários outros exemplos de coleções na minha família - se eu for querer colocar tudo aqui, esse texto não terminará jamais...
Os críticos dizem que colecionar é perda de tempo e dinheiro. Discordo. Colecionar é uma forma divertida e informal de adquirir conhecimentos, informações e significados. E no meu caso de coleção de discos, não vejo isso como gasto, mas como investimento em cultura.
Colecionar não é só fazer um ajuntamento de coisas. Colecionar é uma arte.
Aliás, uma das mais acessíveis...

P.S.: Sabe o colega de escola ao qual eu me referia no terceiro parágrafo, aquele que colecionava dados? Era eu mesmo.

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